Critérios de Bradford Hill (9 critérios) — leitura pericial
A análise de causalidade foi conduzida segundo os critérios de Hill, aplicados ao caso concreto:
1) força de associação — magnitude da associação entre a exposição descrita e o agravo observado; associações fortes são menos explicáveis por viés ou confundimento.
2) consistência — reprodutibilidade do achado em diferentes estudos, populações e cenários ocupacionais.
3) especificidade — correspondência entre uma exposição e um desfecho determinado, critério de valor relativo nas doenças multicausais.
4) temporalidade — requisito indispensável: a exposição deve preceder o surgimento da doença, com período de latência compatível.
5) gradiente dose-resposta — agravamento do quadro proporcional à intensidade, frequência e duração da exposição.
6) plausibilidade biológica — existência de mecanismo fisiopatológico conhecido capaz de explicar o dano.
7) coerência — compatibilidade da hipótese com o conjunto do conhecimento clínico e epidemiológico disponível.
8) evidência experimental — melhora após afastamento do agente ou após medida de controle do risco (e recidiva ao retorno).
9) analogia — existência de relação causal já aceita entre agentes ou quadros semelhantes.
Observação metodológica: os critérios não são lista de verificação cumulativa; a temporalidade é condição necessária, e os demais compõem juízo de probabilidade técnica, nunca de certeza absoluta.
Referência técnica: HILL, A. B. The environment and disease: association or causation? 1965.